• José Osterno

BELCHIOR (FILÓSOFO?): AÇÃO E MENTALIDADE



No presente, a mente, o corpo é diferente, e o passado é uma roupa que não nos serve mais”.


É o que, poeticamente, afirma Belchior, cantor, compositor, poeta (e filósofo?) cearense, na canção ‘Velha Roupa Colorida’.


Pergunta-se, então, com fundamento no apregoado por Belchior: é correto julgarmos nossas ações passadas (principalmente, os erros), à luz de nossas crenças, convicções e valores do presente?


Dito de outro modo: devem nossas ações do passado, mormente as que nos impõem culpa, ser julgadas com base na nossa mentalidade atual, em regra, mais madura e aditada de lições hauridas da experiência de vida?


Cada passo dado no passado – é o que parece aconselhar Belchior – deve ser confrontado com crenças, convicções e valores da época em que o passo foi dado.


A inversão da equação, ou seja, o julgamento de ações do passado, com base na mentalidade do presente, é tão equivocado, quanto se julgar, aplicando-se leis já revogadas, mesmo porque, no passado, nossas crenças, convicções e valores eram outros, quase sempre, menos aperfeiçoados e maduros.


Parafraseando Cícero, nas Catilinárias: Oh ações, Oh mentalidades!


José Osterno

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