• José Osterno

ESPERANDO BOJANGLES



Em “Esperando Bojangles”, romance de Olivier Bourdeaut, o narrador – o filho – narra a história de amor da mãe e do pai.


No começo: “- Jura perante os anjos que me seguirá por todo lugar, por todo lugar mesmo? – Sim, por todo lugar, por todo lugar mesmo!”.


No meio: (i) “Havia um bonito e antigo toca-discos no qual girava sempre o mesmo elepê de Nina Simone, e a mesma música: ‘Mr. Bojangles’”; e (ii) “Georges, não esqueça as suas besteiras, a gente precisa delas!”; e, ainda, (iii) “Aliás, me pergunto como fazem os outros para viver sem você”.


No fim: os dois parece terem adotado como mote de vida os versos de Pablo Milanés: “Se me faltares, nem por isso eu morro, se é pra morrer, quero morrer contigo”; e morreram, os dois, um e o outro, fazendo o filho pensar: “Compreendi melhor por que ele estava feliz e concentrado, pois estava preparando a partida para ir se juntar à Mamãe, para uma longa viagem. Eu não podia propriamente zangar-me com ele, aquela loucura também lhe pertencia, só podia existir se fossem dois para carregá-la. E eu, eu teria de aprender a viver sem eles. Ia poder responder a uma pergunta que me fazia o tempo todo. Como fazem as outras crianças para viver sem meus pais?”.


Eles, os dois – os pais do narrador – se morreram de amor.

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