• José Osterno

POEMAS DE JOSÉ OSTERNO NA REVISTA “CULT”

Os três poemas abaixo, de minha autoria, foram publicados na edição 164, de dezembro de 2011, seção ‘oficina literária’ da revista CULT (www.revistacult.com.br).

Felicidade

Um homem feliz não escreve romance

Carlos Heitor Cony


Estarei deixando de ser feliz,

Para escrever poemas?

Para escrever poemas,

Serei infeliz como antes, circunstancialmente.

Serei infeliz como um dia ou outro, outrora.

Serei infeliz como verdadeiramente os infelizes.

Serei tão infeliz quanto

O mais possível infeliz.

Então,

Escreverei um tanto de poesia

E morrerei.

Estarei, enfim, deixando de escrever poemas

Para ser feliz.


Declaração

Para Carmen, por óbvio,

Há trinta anos.


Amo em ti a ausência de mim,

O não medo. Amo em ti tudo

O que não sou, o que me falta.

Amo em ti o que não é José,

Mas Maria, o que não é Apolo,

Mas Dionísio, o que não cala,

Mas fala. Amo a ti,

Porque és instante e inventiva

Loucura, porque és improviso,

Irresponsavelmente feliz.

Amo em ti o que é gitano.

Em verdade, Carmen,

Amo em ti

O que não é espelho.



Poeta Morto


Morto,

Lerei poemas escritos à minha morte.

Terei tempo

Para todas as coisas.

Serei eterno

Em espaço

E tempo

Como verso não vindo.

Não serei eu

E os outros.

Serão eles

A sós.

Morto,

Não precisarei de sapatos,

Terei os pés que quiser.

Dirão (de mim): morreu.



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