• José Osterno

QUEM DIZ O QUE SE DIZ?



Joe Hunt, professor; Adrian Finn, aluno.

Uma tarde o velho Joe Hunt, como que pegando no anterior desafio de Adrian, pediu-nos que debatêssemos as origens da Primeira Guerra Mundial: mais especificamente, a responsabilidade do assassino do arquiduque Francisco Fernando, por dar início à história toda”.

O professor dá o pontapé inicial: “Finn, tem estado calado. Pôs esta bola a rolar. (...) Importa-se de nos brindar com os seus pensamentos”.

Ao que Adrian responde: “Na verdade, toda essa história de imputar responsabilidade não é uma espécie de cobardia? Queremos culpar um indivíduo, para que todos os outros sejam ilibados. Ou culpamos um processo histórico, como forma de desobrigar os indivíduos. (...) Esse é um dos problemas centrais da história, não é sir? A questão da interpretação subjetiva ou objetiva, o facto de precisarmos de conhecer a história do historiador para podermos compreender a versão que nos é posta à frente”.

Hunt olha para o relógio e diz: “Finn, eu reformo-me daqui a cinco anos. Terei muito prazer em o recomendar, se quiser candidatar-se”.

Em tempos modernos de fake news, mais importante do que “compreendero que se diz é “conhecer a história” de quem diz.

É, em tradução para o português de Portugal, o que Julian Barnes parece recomendar, pelas vozes de Joe e Adrian, em “O Sentido do Fim”.

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